sábado, 3 de agosto de 2013

Club das Blogueiras Escritoras: Sonhos Mentirosos - Sthephanie

Olá meus queridos! Hoje venho trazer um dos contos da primeira remessa do Club das Blogueiras Escritoras. O conto é da Sthephanie do Blog Moda e Eu. Espero que gostem.



Mais um dia começa, gotas de água do chuveiro mal fechado ainda pingavam sobre minha cabeça. Há quinze minutos havia recebido um telefonema. Haveria uma manifestação pacifica em São Paulo, e a policia precisaria de policias do meu nível. Tirei do meu armário de fardas já passadas, a do estado de São Paulo. Hoje, nem me preocuparia em tampar meu sexo, em disfarçar minha feminilidade. Hoje eu seria apenas mais um policial entre tantos outros.

Ao sair pela porta principal da casa meu marido estava já me esperando no caro, com seu olhar de reprovação. Afinal, eu era treinada para operações especiais, não trabalhava em simples operações. Porém isso não era o que realmente me esperava.

O que era pacífico virou uma zorra. As pessoas não queriam manifestações, mas destruir o que eu tinha como vida proteger, o meu País, o meu Estado. Não eram todos os manifestantes vândalos, porém, os que ali estavam, acabavam com tudo pela frente, mesmo que fossem pessoas.

Um pouco antes de minha vida ser marcada, algo que aparentemente meu marido sentia que iria acontecer, um homem estava deitado no chão com sangue escorrendo em sua face, aparentemente desacordado. Me distanciei do meu grupo para ajudá-lo, afinal eu era uma policial, era uma agente treinada para ajudar, essa era minha missão. Ao meu aproximar do cidadão, tomei um susto, que me deixou um pouco sem reflexo. O homem não estava machucado, era uma armadilha, em que eu, uma agente da lei, treinada e sabendo de todos os perigos, caí.

Quando dei por mim já estava jogada no chão, com um grupo de homens em cima de mim. Eles esperavam que fosse um policial, e que eles pudessem linchá-lo. Porém eu era uma mulher, eu imaginava que se ninguém aparecesse, eles me matariam... Eu sabia que eles iriam. Quando consegui me soltar, minha respiração estava ofegante. Assim que peguei minha arma, os homens pararam. Talvez duvidassem da minha coragem de atirar... Mal sabiam eles que eu tinha balas o suficiente para matar todos eles, além de coragem para isso. Um tiro seria o suficiente, ninguém iria querer ser o próximo a sentir o seu último suspiro escapar do seu corpo.

Eu senti meu corpo desfalecer, mas sabia que eu se desmaiasse, nunca mas voltaria a abrir os olhos. Contudo, também sabia que meu marido já sentira minha falta, teria que aguentar só mais um pouquinho. Meus olhos se fecharam, e quando voltei a abri-los, o homem que estava no chão havia se aproximado de mim rindo. Podia sentir o cheiro de bebida. Manifestastes passavam por perto, porém não reparam no que estava acontecendo... Eu era apenas mais uma policial que sofria, e ninguém falava nada, afinal os direitos humanos não existem para mim.

Levantei minha arma e mirei no coração dele. Era só um tiro, não poderia desperdiçar se eu quisesse sobreviver. Ele olhou e riu, enquanto eu fechei os olhos e atirei, torcendo para que quando eu os abrisse, meu marido estivesse perto de mim. Assim que abri os olhos, o homem estava caído, e uma pequena multidão se aproximava para ver. Manifestantes e vândalos contra mim. Um homem que estava no grupo que me agrediu se aproximou com um pedaço de pau na mão para me acertar, desferi mais um tiro e ele caiu. Policiais perceberam a movimentação, quando um terceiro homem, que não estava no grupo, mas chegou ao som do primeiro tiro, veio para também tentar me agredir. Uma mão segurou seus braços e jogou-o para longe.

Quando, novamente abri meus olhos, já estava no hospital, e a primeira coisa que vi, foram os olhos do meu marido. Escutei uma voz que sorria enquanto sussurrava: "Não disse que tu não deverias ir?". Agradeci mentalmente a Deus por ainda estar viva. Meu marido me entregou um jornal, no qual estava escrito que uma policial havia matado dois homens de forma bruta. Havia uma foto com os corpos dos homens, e a informação de que um segundo policial havia espancado um terceiro homem. Uma multidão havia visto tudo.



Era irônico o que estava escrito ali. Nada era verdade, porém era o que eles queriam que o povo pensasse, que a policia estava ali para destruir. Olhei para o lado. Em um sofá branco, vi minha farda negra, com rasgos e sangue, que provava ao contrário. A classe, porém, que diz "desculpe-nos o transtorno, estamos reorganizando o país", na verdade não sabe da verdade...

Autora : Sthephanie
Blog da autora: Moda e Eu
Foto retirada do site : http://www.rededemocratica.org/

Beijos de La Fleur dy Lis!

4 comentários:

  1. Que texto incrível, muitas vezes entre os manifestantes temos vândalos que acabam com a fama dos pacíficos.
    Com certeza toda a mídia deveria ler esse texto porque hoje em dia estamos cercados de mentirosos até no local onde deveriam transparecer sinceridade.

    Parabéns, grande texto (:
    http://btocadoslivrom.blogspot.com/

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  2. É legal esse tema... algo tão atual e escrito de uma forma tão reveladora que podemos nos sentir amedrontados pelo o que ela vai passar... Adorei sua forma de escrever Sthephanie. Parabéns. bjs
    Eykler

    www.aghridoce.blogspot.com.br

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  3. Gente!

    Obrigada pelas palavras, emocionei-me!
    :D

    bjs

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  4. Adorei o texto Sthephanie, você escreve muito bem. Conseguiu passar o que realmente acontece hoje em dia. Beijos

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