quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Promoção: Eu Quero Carmela e Lorenzo !


Olá pessoal! Finalmente venho por no ar a promoção de Carmela e Lorenzo.
A promoção vai ser realizada na pagina do facebook. E as regras são bem simples e todos os links necessários estão funcionando.
Link da promoção : Eu Quero Carmela e Lorenzo

O Rubens está escrevendo o segundo livro, que por enquanto ainda não tem nome. E para deixar vocês com aquele gostinho de quero mais e dar um certo incentivo para vocês participarem da promoção, lá vai um trechinho da continuação.

"A viagem foi linda, ocupávamos duas cadeiras na popa do barco, onde olhávamos o mar revolto e o luar. As telas e cavaletes nos acompanhavam durante estas noites, pois foram utilizadas como desculpas para uma viagem solitária e justificar nossos hábitos noturnos. Misturávamos as tintas óleo tentando reproduzir as cores azuis escuras e violáceas da noite no meio do mar, e os efeitos do aparecimento da lua. Os tons brancos e negros das nuvens que eram misturados em espirais precisavam ficar marcados em nossas memórias, pois como as ondas do mar estes se movimentavam, dificultando sua reprodução. Céu e mar pareciam espelhos um do outro, embalavam a embarcação e açoitavam nossa pele. Nosso amor iluminava minhas inspirações, e naquelas noites a paz nos visitou novamente, de forma que as tintas tomaram a tela de tecido bem tratado formando figuras incríveis. Reproduzir a espuma marinha e as rebentações de onda contra onda era um desafio que abracei com afinco, e para os olhos brilhantes de minha amada o venci primorosamente. A tripulação não se aproximava de nós, e o medo acompanhava-os na viagem. Histórias e lendas de fantasmas, monstros e mau agouro nos cercavam, juntamente com o olhar desconfiado dos marujos. Ouvíamos com nossos sentidos aguçados suas conversas, que eram reprimidas pelo capitão, em vão, diga-se de passagem. Mas isto não chegava a nos incomodar, porém; nós os incomodávamos. Nossos hábitos noturnos e as refeições que jogávamos pela vigia de nosso camarote eram seguidos de perto pelos marinheiros.Para nossa sorte, era uma época em que o mar era calmo e não fomos acometidos por nenhuma ressaca ou tempestade. Qualquer infortúnio que acontecesse poderia ser trágico, pois os marujos agarrados a crendices poderiam rebelar-se contra o capitão, e encontrariam em nossa presença as culpas por qualquer ameaça que sofrêssemos.
No ultimo entardecer antes de chegarmos a Gênova, saíamos de nosso camarote quando sentimos que o sol se pôs, e chegamos ao convés espaçoso estranhamente tomado pela tripulação. Com a proximidade do porto, a presença de grande numero de aves marinhas passou a fazer parte do final da viagem. Carmela olha a isto encantada, e diz que a imagem é digna de uma pintura. Toda a tripulação está no convés, olhando as grandes aves que circulam o navio.
- Todos a seus posto, seus imprestáveis! Vamos trabalhar agora! Vão, vão seus marinheiros de meia pataca! – esbravejou o capitão. Os tripulantes foram aos seus postos, e nos olhavam com desconfiança. O capitão é um homem experiente, de olhos cansados e queimados pelo sol que iluminava os mares durante os longos dias. Com uma educação pouco polida, ele aproximou-se de nós, tentando arrumar a gandola que já não servia em seu corpo roliço e deixava parte de sua barriga de fora. Ele veio falar-nos:
- Boa noite senhor, senhora. Esta é a ultima noite que passarão a bordo deste barco. Peço-lhes que perdoem meus marujos, pois são medrosos e ignorantes. Sei que na próxima noite, estarão descendo para terra firme, de forma que quero pedir-lhes desculpas pelo comportamento destes homens.
- Não se preocupe senhor, estaremos seguros, pode acreditar. Vejo que recebemos até a visita destes grandes pássaros, que vieram nos dar as boas vindas... – eu apontava para o céu, e Carmela acompanhava os movimentos de minha mão, maravilhada com a vida ao nosso redor, e me dava esperanças de que tudo iria melhorar. Eram momentos assim que me davam alento, pois seu sorriso mesmo que discreto, leve, alimentava minha alma, para que minha luta por ela não terminasse.
- São albatrozes senhor Lorenzo. São belas aves realmente, mas são sinal de mau agouro no mar. Acha que meus grumetes estavam reunidos no convés à toa? São homens rudes, que observam seus hábitos estranhos. Não sei se não gostam da comida, preparamos tudo que Ettiénne nos pediu, mas víamos vocês jogando a comida para o mar. Cinco dias, ou noites, ou sei lá, sem comer nada... O que pensam que conseguiriam colocar na cabeça de homens valentes, mas ao mesmo tempo tementes ás lendas e tradições do mar? Fiquem a vontade, mas por favor, não deem motivos para meu marujos ficarem mais assustados, sim? – eu olhei para trás, e os marinheiros tentavam desviar o olhar, mas eu os via nos observando, de soslaio.
- A noite está bonita, mas acho que olharemos as estrelas da vigia de nossa cabine, não se preocupe senhor. – eu não temia por nossa segurança, os marinheiros não conseguiriam nos fazer mal, mas pensei em Carmela, e tranquilidade era tudo o que eu desejava a ela agora. Recolhemo-nos, e levamos conosco nosso material, se a Arte surgisse naquela noite, seria na cabine pequena do navio, pela vigia.
Na outra noite, víamos o porto de Gênova a nossa frente, e em minutos desceríamos. Avistei as carroças que levariam nossas bagagens, acompanhadas de uma carruagem parecida com a que usamos para atravessar o interior da França.
Enquanto os marujos carregavam nossos pertences, descíamos pela ponte do navio, seguidos de um marinheiro, um negro, que derramava rum atrás de nós, como se fosse para limpar os locais por onde passássemos. O capitão olhava o ritual de seus funcionários com respeito, afinal, também era um temente ás lendas do mar. Outro marujo fazia o mesmo no grande convés, usando um esfregão para espalhar a bebida pelo madeirame. Depois que descemos da pequena ponte do navio pisando no porto, o marujo colocou a bebida na boca, e soprou-a pelo ar, como se quisesse esborrifa-la atrás de nós, colocando-nos em contato com um tipo de magia que jamais vimos antes. Os marujos voltariam para a França mais tranquilos, pois os agourentos já não estavam mais entre eles."
Espero que vocês tenham gostado e aguardo as participações. Beijos de La Fleur dy Lis!!!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Clube de Vênus - Cristina Frentzen

Olá meus queridos! Hoje venho trazer uma ótima noticia, tem parceiro novo no blog *-* .
Clube de Vênus é um livro da autora Cristina Frentzen e um livro adulto ( possui conteúdo erótico ). 

Prologo :
“Como reconhecer a anatomia de um gozo?”

Aquela pergunta ainda martelava na cabeça de Tom Esquivel. Ele estava lá, seus joelhos dormentes de encontro ao chão que outrora parecera macio, mas agora o lastimava. Não sabia precisar quantos minutos já haviam se passado desde que acordara, entorpecido pelo efeito do sedativo injetado em sua veia. Recordava-se do Maître que lhe servira a injeção em uma bandeja de prata. “Para o caso de o senhor querer fazer em si mesmo”, a voz firme e educada avisou, postando-se atento ao lado de Tom enquanto este pressionava o braço em busca da veia perfeita. A escuridão veio e a ela se seguiu uma nova, pois seu despertar não elucidou qualquer coisa além de seu corpo nu em posição fetal de encontro a um chão de feno. Sim, e a máscara.
Presa à sua cabeça como um capacete, a leve peça de porcelana parecia mergulhá-lo em outra realidade.
O frio no aposento escuro foi rapidamente dissipado por um calor intenso, e tal mudança de temperatura fez com que todo o seu corpo relaxasse, exceto seu pênis, que imediatamente enrijeceu.
“Ajoelhe-se.”
A voz surgiu de todo lugar e lugar nenhum. Era feminina, rouca e pausada, como se as palavras a serem pronunciadas tivessem que disputar com o leve ofego que marcava sua respiração.
Como Tom não obedeceu, a voz insistiu, dessa vez em um tom mais imperativo:
“Doutor, ajoelhe-se.”
Havia um microfone, sem dúvida. O som era típico de uma caixa de som média, um alto-falante talvez, ainda que a voz baixa fosse semelhante a um sussurro amplificado. Tom concentrou-se em si e obedeceu. Colocou-se de joelhos, voltando a ter controle sobre seu corpo. Ao menos, parte dele. Um cheiro de estrume e madeira úmida conjugou-se à sensação do feno grudado ao seu corpo despido. Sentia parte da forragem grudada às suas costas, nádegas. Ao seu braço esquerdo.
Permaneceu de joelhos por um tempo, em um silêncio tão profundo que podia ouvir seu coração desregulado, ansioso. Tom não se lembrava de já ter sentido medo antes, mas aquela situação o assustava um pouco. Por alguma razão, não tentou levantar-se. Sabia que ao tomar o sedativo horas antes, escolhera voluntariamente o caminho que era também submissão, pois só através dela conseguiria o que realmente queria.
E estava muito perto disso agora.
Depois de vários minutos, uma luz ascendeu no alto do aposento, bem acima de sua cabeça. Tom olhou por reflexo para cima, mas a iluminação, provinda de algum tipo de holofote, era intensa e não o deixava ver nada para além dela. A máscara também não ajudava muito, firmemente fixada como se tivesse sido feita para encaixar-se de modo perfeito ao seu semblante. Tom voltou sua atenção para o lugar e notou que era mesmo feno no chão. Cobria todo o aposento visível aos seus olhos, e após observar as colunas de madeira e vários apetrechos pecuários espalhados por todos os lados, Tom deduziu estar em um celeiro. Ou um estábulo, ele precisou relembrando-se das coisas que havia lido e visto. Sim, havia baias e selas atiradas no chão. Era mesmo um estábulo.
Sorriu sob a máscara sem expressões.
Na parte do aposento que permanecia pouco iluminada, uma silhueta destacou-se pelas curvas das pernas nuas. A luz permaneceu em Tom, mas pouco a pouco sua companhia no estábulo se tornava cada vez mais nítida. Uma mulher, totalmente despida, usava apenas uma máscara de porcelana que lhe cobria todo o rosto e parte dos cabelos castanhos longos. As curvas de seu corpo e o desenho de seus seios, parte tocados pela luz, parte envolvidos pela escuridão, faziam dela a própria deusa.
Vênus.
A voz feminina surgiu novamente no estábulo, dessa vez de forma natural e próxima.
“Agora, Doutor, vamos começar... Por que eu só me excito se você rastejar.”

- CdV -
O primeiro capitulo está disponível no blog : Clube de Vênus - Primeiro Capitulo
Pagina do Livro no Facebook : Clube de Vênus
Pagina da Autora no Facebook : Cristina Frentzen

E se você gostou do livro e também quer se tornar parceiro, basta enviar um e-mail para  a Juliana Souza ( jujuss8@hotmail.com ) que ela respondera com as diretrizes.
Aos interessados em adquirir o livro, fiquem sabendo que ele será lançado pela Editora Modo e ainda não tem previsão de lançamento, mas basta vocês ficarem de olho aqui no blog que assim que sair a previsão de lançamento eu vou avisar a vocês.
Espero que vocês tenham curtido a novidade tanto quanto eu. Beijos de La Fleur dy Lis!




domingo, 15 de setembro de 2013

O Segredo de Esplendora - Tatiane Mareto

Olá pessoal! A resenha de hoje é de um livro que li faz algum tempo e que gostei demais.

Heatrher é uma brilhante, precoce e cética cientista. Ela é daquelas que encontra uma explicação cientifica para tudo. Embora nunca tenha se sentido parte desse mundo,Heather nunca acreditou em nada sobrenatural. Ao menos era assim até Mills aparecer e por consequência, Heather encontrar com Wes e por fim, acabar conhecendo Henry. Ah Henry!

Henry é divino ( apesar de sua condição vampiresca).Eu não me importaria de ficar com alguém 561 anos mais velho que eu, se esse alguém fosse Henry. Não só pela descrição fisica ( que logicamente é de tirar o folego), mas pela personalidadedele. Fiquei imensamente comovida e enfurecida com a historia dele ( pre-vida vampírica ). Ele é perfeito desde o inicio.
E ainda tem Stuart e Wes, que dão aquela graça a historia. Praticamente toda cena engraçada conta com um deles, senão com os dois. os 3 formam uma familia interessante que fica meio bagunçada com a chegada do furacão Heather e a tendencia de Henry em fazer a coisa errada.
Qualquer um que acompanhe o blog sabe que amo o tema sobrenatural e a Tatiana arrasou. Estou ansiosa pela continuação. Mais que recomendo.

FP do Livro : O Segredo de Esplendora
Blog : O Segredo de Esplendora

Espero que tenham gostado. Beijos de La Fleur dy Lis!!!


sábado, 7 de setembro de 2013

Club das Blogueiras Escritoras : A Pior Conquista do Mundo - Carol Teles


“Respira, Lívia. É só respirar”

Isso já estava virando um mantra na minha cabeça. Já me via sentada com as pernas uma em cima da outra e as mãos levantadas em sinal de adoração divina. Era quase um nirvana mental. Deplorável!

Sentei no balcão de cerâmica que ficava exatamente na frente do grande espelho grudado á parede. Eu estava péssima! Não acreditava que estava prestes a fazer algo tão patético. Minha mãe não devia ter me deixado ler tantos livros quando era menina, esse era o resultado.

A porta abriu e Rebeca entrou como um jato por ela. Segurava o caderno na mão e olhou ao redor apreensiva, era impressão minha ou ela achava que estava dentro de um filme de espionagem?

- Você esta com uma cara horrível! – Ela falou abrindo mais a porta e dando espaço para André entrar. Ele estava trajado de preto e segurava uma meia escura na mão. Meu estomago embrulhou.

- Eu me sinto horrível- respondi engolindo muita saliva. - Essa ideia é absolutamente ridícula!

- Levanta daí para eu te olhar – Rebeca tinha esse jeito mandou desde que nasceu. E realmente funcionava.

Levantei derrotada e me encaminhei até ela segurando com firmeza na parede. Beca me girou e sorriu com alegria. Só ela para estar calma numa situação dessas.

- Você está muito gostosa! – Ela disse batendo de leve na minha bunda, o que me fez rir. Bem, só um pouquinho.

Olhando bem para o espelho, ela tinha razão.

Aquela saia era dela, então logicamente era um número menor do que as minhas, dois na verdade, se contar a minha total falta de vontade de ficar gostosa diariamente. A blusa era realmente minha, contudo, eu costumava usá-la com um top por dentro, ou uma jaqueta por fora. Estava de salto. Nem tenho ideia de como ela me convenceu a usar sapatos altos, eu parecia uma pata neles. Mas o conjunto era realmente agradável. Os cabelos soltos davam aquela impressão selvagem que os caras tanto gostavam, a maquiagem estava um tanto carregada para mim, mas Beca se ocupou em tirar metade dela em segundos, e jogar uma espécie de óleo na minha cara, fiquei com uma aparência bem suada. Enfim, eu estava totalmente convincente, se não fosse a cara de vômito.

- Como você está, André? – Ela foi até ele e colocou um pouco do óleo em seu rosto também.

Ele olhou para mim pelo reflexo e logo sua tensão aliviou. Lentamente ele soltou o ar dos pulmões de uma forma bem pesada, como se fosse o último suspiro.

- Não tenho ideia de como me sinto – respondeu afastando o pincel oleoso de Beca. - Mas se eu desmaiar ou for preso, vocês é que vão contar para minha mãe.

Rebeca gargalhou alto, mais eu só senti mais saliva juntar em minha boca. Eu tinha convencido um menino de dezoito anos a entrar num plano totalmente sem sentido. Ou ele era um louco, ou muito meu amigo, ou quem sabe os dois. Eu era especialista em amigos loucos, pode-se perceber isso vendo a forma concentrada que Beca cuidava das nossas aparências. Eu me senti James Bond.

Ela nos olhou de longe e levantou os polegares. Estávamos prontos, pelo visto. Então porque diabos eu não me sentia ótima e nem confiante?

- Ok – Ela começou – Entenderam bem o plano, não foi? – Sabíamos o plano, mas nem eu nem André tivemos coragem de confirmar. Ela bufou. – Carla vai nos ligar afirmando que a aula dele acabou, então eu sigo para a porta da sala e espero ele sair, daí eu finjo ir tirar uma dúvida e peço para acompanha-lo. Carla liga para Lívia – Ela apontou para mim e eu balancei a cabeça - para ela sair do banheiro a tempo dele ver você passando, e amiga, por favor, tente não cair nesse sapato! – Acenei sem jeito – Enquanto isso, André vai estar do lado de fora esperando você passar. Quando estivermos na metade do caminho ele vai te abordar, e eu dou um jeito de Sebastian te ver. André simula o assalto, e eu e o “caliente” professor, vamos ser os heróis da noite. Então você corre – Apontou para André - E se esconde até a gente sair de vista. Lembre-se de trocar de roupa e jogar fora essa meia. Você terá cerca de cinco minutos até a segurança ser acionada. Então Lívia estará nervosa e chorando nos ombros do Sebastian e conseguiremos um final feliz.

Fiquei em silêncio e horrorizada. Eu pensei no absurdo que era isso tudo, e pela colorização da pele de André, ele pensava a mesma coisa. Eu estava colocando em jogo a liberdade de um amigo e me colocando em uma situação ridícula por conta de um professor. Mas como eu queria aquele homem! Até dava dor de pensar nele.

Não, realmente vocês não têm nem noção do que estou falando. Já fiz as coisas mais loucas do mundo por conta desse homem. Maldito dia em que ele resolveu ser professor numa faculdade há quilômetros de distância do estado em que nasceu!

Olhei para meu enorme amigo ao meu lado com cuidado, queria conseguir ler mentes. Estava apavorada!

- Não sei não, Beca – Eu disse antes de pensar muito – E se algo der errado e os seguranças aparecerem? E se ele descobrir André? E se ele por acaso Sebastian souber artes marciais? Eu não me perdoaria se algo acontecesse com André.

Beca me olhava com descrença, e André com medo.

Ela se aproximou de mim e pegou em meus ombros com força.

- Nós vemos você fazer coisas enormemente malucas por esse homem há mais de um ano. Eu não aguento ver você pelos cantos dando uma de heroína do X-men por conta de alguém que nem olha pra você. – Me odeio por isso! Eu sou patética! - Situações desesperadoras pedem medidas desesperadas. Os seguranças nunca aparecem por aqui esse horário. – Fato. - André não vai falhar – Disso eu não tinha tanta certeza.- E eu duvido muito que o cara que é mestre em catalogação bibliográfica tem tempo pra qualquer tipo de artes marciais; o máximo que ele pode fazer é uma fusão de zeros e colocar na prova. Relaxa! Vai dar tudo certo.

Ok. Respirei fundo por alguns segundos e o telefone de Beca tocou “Livin La Vida Loca”. Nada poderia estar tão certo nessa situação do que essa música.

Ela se afastou para atendê-lo. Suspirei tentando me concentrar. Ela tinha razão. O máximo que poderia acontecer era sermos expulsos da faculdade.

Expulsão? Mas do que diabos eu estava falando? Isso já era ruim demais!

Comecei a hiperventilar. André se aproximou e pegou uma de minhas mãos de leve. Não consegui sentir a temperatura dele; devia estar tão gelado quanto eu.

- Tem certeza? – Ele me perguntou e um leve cheiro almiscarado subiu pelas minhas narinas. Ele sempre tivera um bom hálito. Creio que o namorado dele pensava da mesma forma. Ambos eram loucos por cheiros afrodisíacos.

- Não! – Respondi rapidamente enquanto ele ria – Mas tenho que tentar de tudo. Não quero desistir achando que deixei de fazer algo.

- Mas você não acha que isso pode ser exagerado demais? E se tudo der certo? E se vocês se acertarem e ficarem juntos? Um dia você precisará contar isso a ele.

Eu entendia o raciocínio dele, e concordava. Mas não iria voltar atrás desse nosso plano maluco por conta de uma suposição. Mesmo que fosse uma suposição forte e deliciosa.

- Um dia, é um tempo longe demais para ficar esperando – respondi com um sorriso tremido. – E eu já tenho quase trinta anos. Você lembra da promessa que fiz à minha mãe para antes dos trinta. E é ele, André! Sei que é com ele.

- Ok, a aula acabou.

Beca voltou guardando o telefone. Ela estava nitidamente eufórica. Senti-a passeando entre nós procurando alguma falha. Pelo visto estávamos bem, porque ela conduziu André até a porta do banheiro o apressando. Ele parou e me olhou antes de sair.

- Você vai ficar me devendo por uma vida inteira – André estava sorrindo – E nem pense em dizer que vai me pagar com beijos e abraços.

- Bom assalto! – Falei sorrindo enquanto via ele sumir.





Quando o meu celular piscou com o número de Carla na tela, pensei em desistir e sair correndo em direção ao ponto de ônibus. Estava em pânico!

Fechei os olhos com força e me concentrei:



“Você é Lívia Buarque. Estudante universitária. Vendedora de cosméticos. Criou um filho sozinha. Esta apaixonada por um professor duro na queda. Faz qualquer coisa para tê-lo junto a você.”



As palavras podiam não ser as melhores, mas eram as mais certas, e foi com elas na cabeça que tive coragem de pegar minha mochila e sair do banheiro. O prédio já estava vazio naquele horário, o que ficou fácil me sentir segura em cima de sapatos mais altos do que os degraus da minha casa. Mas nem tanto. Me senti uma bêbada tropeçando em latas de lixo e me segurando nas paredes. Tinha que me acalmar, senão todo o plano iria por água abaixo. Vi pelo corredor contrário Beca andando ao lado de Sebastian e meu coração parou de bater.

Ai meu Deus, como ele é perfeito! – a sensação de segurança brotou em mim do nada quando nos cruzamos em direção à saída. Peguei meu celular na bolsa e fingi estar ligando quando os olhos dele pararam em mim e se voltaram para as minhas pernas nuas. Senti o rosto enrubescer.

Já do lado de fora, andando nas ruas escuras e cheias de lama, estava rindo a toa. Ainda pensava nos olhos dele em cima das minhas pernas.

Senti o vento carregar um perfume, e foi quando me voltei para a ação do momento. Tinha que ir pelo canto para ficar mais próxima de André. Acelerei os passos quando ouvi a gargalhada de Beca logo atrás. Andei cerca de quinze metros e um homem enorme saiu do meio das árvores com capuz e fumando um cigarro. André fumava? Nem sabia.

- Boa noite, moça! Não é uma boa hora para andar por ai sozinha.

Sorri de leve e tentei entrar no jogo.

- O que você quer? – respondi mais corajosa do que realmente seria em uma situação dessas.

- Bom – André jogou o cigarro e pisou – Agora que a moça perguntou, quanto de dinheiro você tem ai?

Ele saiu das sombras e quase soltava um gritinho de felicidade quando vi o quanto André estava convincente.

- Não tenho dinheiro – disse me saindo pela lateral

- Aposto como a moça tem sim – Ele segurou meu braço com força. Força demais. A magia do teatro? – Uma moça assim tão linda, não anda sem recursos.

Ele sacou uma arma do bolso e apontou de baixo para mim. Porque será que vendiam brinquedos desse tipo para crianças? Maior absurdo!

- Não tenho nada para o senhor!- puxei minha mão, mas ele estava segurando firme meu braço.

- A moça quer morrer? – Ele falou alto e rasgado ao pé do meu ouvido se aproximando de mim, a arma tocando o meio das minhas coxas. Isso estava indo longe demais. O hálito dele não cheirava a canela, só cheirava a cigarros. O perfume almiscarado de André não estava no ar. Foi quando algo me ocorreu e eu comecei a gritar.

- Socorro! – Gritei o mais alto que pude e senti-o apertando o cano com mais força entre as minhas pernas.

- Cala a boca, vagabunda!

Ele me pegou por trás e eu comecei a tremer. Me abraçou prendendo as minhas mãos nas minhas costas e segurou a arma no alto da minha cabeça. Ouvi passos apressados se aproximando.

- Ta vendo só o que você fez? – Ele falou raivoso enquanto me puxava rapidamente para o mato de onde ele tinha saído.

Mas que merda de azar! O cara tinha que assaltar justamente minha faculdade, meu bloco e a minha pessoa exatamente no dia em que eu tinha burlado um assalto?

- Lívia? – Alguém gritava. Achei que era a voz da Beca.

Eu não tinha muita opção. E acabei gritando de volta;

- Aqui!

O homem atrás de mim puxou minha mão com mais força.

- Cala a boca!

Mas não adiantou. Logo Beca e Sebastian tinha nos alcançado. Eu podia ser totalmente apaixonada por ele, mas certamente não senti nada demais naquela situação. Eu queria sair dos braços daquele homem horrível. E Beca, será que sabia que aquele não era André? Ai meu Deus, eu estava me sentindo muito tonta.

- O que o senhor quer? – Sebastian perguntou ainda sem fôlego – Solta a garota. Eu te dou meu celular e meu relógio, e se quiser, pode levar minha carteira também.

O professor começou a tirar todos os objetos do bolso e o relógio, jogando na terra em frente a onde estávamos.

Aquilo eram as mãos dele tremendo? Será que ele realmente estava preocupado? Esqueci totalmente que estava nos braços de um bandido e ri feito boba para Sebastian.

- Agora virou uma coisa pessoal, mauricinho, ela vai comigo. - O homem respondeu passando a língua de leve na minha orelha. Senti a comida subir pela minha garganta. Levantei os olhos para não vomitar e encarei Beca. Ela parecia muito contente com a suposta atuação de André.

- Fora de cogitação- respondeu Sebastian com as mãos para o alto tentando se aproximar de nós.

As mãos do homem faziam pressão na minha bunda, e comecei a achar que aquilo era proposital. Naquele momento eu estava com tanta raiva de mim mesma, e tão maravilhada pela atitude heroica do meu professor belíssimo, que nem pensei em falar nada.

- Fica onde esta cara- o homem respondeu apontando a arma para Sebastian e ele parou onde estava olhando de uma forma incompreensível para mim.

Senti as lágrimas rolando pelos meus olhos. Estava com medo, mas acho que aquilo parecia mais com lágrimas de frustração.

- Calma Lívia! - Sebastian falou com uma voz leve e altamente sedutora. Quase me desmanchei.

Sério que eu estava ficando excitada durante um sequestro?

- Ok, parou a brincadeira – Beca falou andando em direção a gente – Desculpe Liv, você está em pânico. – ela não tinha entendido- Solta ela!

Todos pararam no tempo tentando entender o que estava acontecendo. Senti até o cara de cheiro ruim olhar para ela. Tentei explicar...

- Beca, ele não é...

Mas não consegui terminar. Ouvimos passos apressados e André apareceu correndo com Carla em seu encalço. Eles pararam onde estavam ha uns dez passos de onde estava Beca e Sebastian.

Daria tudo para vocês verem como estava a feição de Beca naquele momento. Se não fosse trágico, seria até engraçado.

- André? – Ela perguntou olhando do homem para o nosso amigo ofegante.

- Lívia! – Ele olhava para mim com desculpas nos olhos

- Beca - Carla falou apontando para o homem

- Sebastian - Eu falei sem jeito tentando me explicar

- Gente? – O professor nos chamou com raiva nos olhos. – Mas o que diabos vocês estão fazendo? Tentando um diálogo durante um assalto?

Isso era ridiculamente ridículo!

- Se André está aqui, quem está ali? – Beca apontou para mim e o homem pavoroso nas minhas costas.

- Esse cara apareceu do nada e eu pensei que fosse André – Falei rapidamente.

- Pensou que eu fosse quem? – O homem perguntou nitidamente furioso

- Ele- Falei apontando para meu amigo almiscarado. – André. Ele é André.

- Espera ai, estamos sociabilizando com o assaltante? Você é mesmo assaltante, não é moço? – Perguntou Carla

- Como assim André estar lá? – Perguntou Sebastian olhando de André para o homem . – Do que vocês estão falando? Você por acaso faz parte disso tudo? – Sebastian perguntou ao porco suado nas minhas costas.

- Cara – o encapuzado falou – Se você não sabe o que está acontecendo, eu é que não sei mesmo. Mas eu já estou indo embora, e vou levar a bonitinha aqui.

- Desculpe Liv- André chegou mais perto e o homem se afastou mais – Eu precisei ir ao banheiro.

Beca estava gargalhando. Engraçado o que as pessoas fazem quando estão em pânico.

- Cara, você é bem azarada! Sério que você achou um assaltante de verdade? – Olhei direto para ela sentindo a raiva brotar em meu ser. Por um instante esqueci o homem nas minhas costas e o professor a quem queria impressionar na minha frente. Levantei meu dedo do meio para Beca, o que a faz sorrir mais, e o homem apertar a arma na minha cabeça.

- E era para ser um assaltante de mentira? – Sebastian perguntou raivoso

- Eu tentei ligar para você quando vi André no banheiro – Carla falou – Mas você não atendeu

- Ele pegou meu celular – respondi entediada. Será possível estar entediada em uma situação dessas? Eu estava.

- Quem pegou seu celular? – Sebastian perguntou

- O assaltante, lógico! – Pude ver o ódio nos olhos dele.

- André pegou o celular? – Perguntou Beca enxugando os olhos cheios de lágrimas dos risos

- Não peguei - André disse apressado.

- O assaltante de verdade. - Respondi

- Calem a boca! – O assaltante disse apontando a arma de um para o outro.

- Perai, você é um assaltante de mentira? – Perguntou Sebastian olhando para o homem

- Eu tenho cara de quem está brincando? (O Homem cuspiu em mim. Eca! Nojento!)

- Desculpa moço, mas o senhor não tem cara de assaltante. (Beca comia a unha da mão)

O homem parou de mexer os pés e engatilhou a arma na direção de Beca.

- Cala a boca, moça! (Assaltante com raiva)

- Não me manda calar a boca! O senhor estragou um plano de duas semanas inteiras. (Beca)

- Plano? (Assaltante porco suado estava desorientado)

- Plano de que Rebeca? (Sebastian perguntou suspirando)

Ouvimos a sirene do carro dos seguranças de longe. O homem atrás de mim me puxou mais para dentro do mato.

- Gente, desculpe interromper a discussão de vocês, mas ele esta me levando. (Eu disse ainda entediada)

- Você está de salto? (Beca perguntou. Mas que pergunta sem sentido!)

- O que isso importa? (André)

- Temos uma situação perigosa aqui, galera! (Carla lembrou a todos assumindo uma postura madura)

- Você está de salto! (Beca exclamou sorrindo)

Eu não estava entendendo nada.

- Moço, podemos negociar a liberação dela. O senhor tem cinco celulares, mais carteiras e um relógio. Com certeza é mais vantajoso do que uma garota, principalmente essa. (Sebastian disse me deixando totalmente ultrajada)

- Eu não ofereci meu celular! (Carla disse abraçando a bolsa da Hello Kitty)

- O que você quer dizer com isso? Vai deixar sua amiga ser levada, possivelmente estuprada e morta? (André salientou com raiva)

- Você sabia que o meu celular é um iphone? Eu nem paguei a primeira prestação (Carla tentou se explicar)

- Salto! (Beca dava pulinhos de emoção. Acho que ela tinha pirado de vez)

- O que porra tem o meu salto? (Eu perguntei)

- O celular dela é um iphone novo. (Sebastian ainda negociava com o homem)

- Porque eu fui dizer isso? (Carla bufou)

- Vocês estão querendo me enlouquecer? (Assaltante batendo com a parte de baixo da arma na própria cabeça)

- A sirene está se aproximando, é melhor o senhor decidir. Mas eu não a escolheria. É complicada demais. Ela não é complicada, André? Se tem uma garota que o senhor vai querer se livrar, é essa! (Sebastian falou calmamente)

- Depois dela eu não quis outra namorada. (André disse num suspiro)

- Namorada? (Sebastian perguntou saindo do personagem)

- Namorada! (Carla afirmou)

- Ela é ganhadora da competição de mais chata do grupo (André completou mais calmo)

- Nisso eu tenho que concordar (Carla ainda o ajudava)

- Ei, eu ainda estou aqui. (Eu disse com raiva)

- Você lembra daquela aula que tivemos sobre Saltos? (Beca voltou aos saltos. Mas que porra!)

- O que? (Eu)

- Mas porque ainda estamos falando sobre sapatos? (André)

- Estávamos falando sobre iphones. E o senhor esta trocando por uma garota que ninguém daqui quer. (Sebastian. Como ele era otário!)

-É (André. Amigo da onça!)

- Dispenso (Carla. Aquela vaca!)

- Se vocês não fazem questão porque todos estão aqui? (Assaltante dando uma de esperto)

- Rá! Ele pegou vocês. (Eu falei eufórica)

- De que lado você está? (Sebastian)

- Cala a boca! (Assaltante ainda desnorteado)

- Cala boca você. (Eu falei chateada)

- Lívia! (Carla)

- Ah, ele só sabe dizer isso! (Eu)

- Ela esta ficando nervosa. (André)

- E melhor sair de perto. (Sebastian)

- Ela está na TPM (Carla)

- O senhor não vai querer vê-la na TPM. (Sebastian)

- Cala a boca todo mundo! (Assaltante)

- Nunca mais quero ouvir você mandar ninguém aqui calar a boca.

E finalmente não sei de onde saiu, mas lembrei da tal aula sobre saltos que Beca falou e me virando, dei um chute bem nas partes baixas do homem, que caiu no chão ofegante, jogando a arma pro lado.

André correu e pegou a arma com o casaco e tirou de perto do assaltante porco suado e Beca sentou em cima das costas dele o fazendo gemer mais. Sebastian tirou a arma das mãos de André e apontou para a cabeça do homem.

- Eu falei para deixar essa garota ir embora. – Sebastian falou soando como o Chuck Noris em um dos seus milhões de filmes onde ele era invencível.

Olhamos um para o outro. Estávamos tensos, um tanto ofegantes, mas quando vimos aquele homem deitado no chão de uma maneira nada confortável, rendido por um professor e futuros bibliotecários, todo mundo gargalhou.

Quando os seguranças enfim chegaram, o homem gritou que mais nunca voltaria a assaltar aquele lugar. Completou ainda que ali só tinha gente doida. E nesse ponto eu até concordava com ele.

Quando os seguranças se foram, ficamos todos olhando apreensivas para Sebastian, que nos fitava de um modo severo. Baixei a cabeça com vergonha por mim e pelos meus amigos. Não queria que eles fossem expulsos. Então ele falou:

- Vocês tem noção de como foi perigoso o que fizeram? Vocês poderiam ter se machucado, poderiam ter sido presos ou expulsos.

- Você vai nos denunciar? – Beca perguntou alisando de leve os dedos das mãos.

- Por mais que ache que vocês deveriam levar uma advertência, Rebeca, não vou destruir a vida acadêmica de vocês por conta de uma brincadeira de criança.

Aquilo doeu mais em mim do que tudo. Vira e mexe ele tinha a mania de repetir a mesma coisa. Era irritante! Eu não era criança! Era só cinco anos mais nova do que ele.

- Agradecemos professor! – André sorriu.

Sebastian balançou a cabeça e fomos saindo de fininho.

- Lívia, posso dar uma palavrinha com você? – Ele perguntou e eu congelei fechando os olhos fortemente.

Meus amigos apertaram de leve meu braço e saíram para me esperar mais na frente. Voltei os olhos para ele por um momento, mas não suportei segurar seu olhar. Senti ele se aproximando e levantando meu queixo para olhar em seus olhos. Tinha certeza de que estava vermelha dessa forma, tão próxima a ele.

- Você é a mais criança de todas, sabia? – Ele perguntou sem sorrir, mas ainda com a mão no meu queixo. – Mas uma criança espirituosa e corajosa demais. – E ai ele sorriu.

- Sei. Sei. Arrisquei minha vida e blá blá blá!

- Não estava falando de arriscar sua vida, mas sua carreira para pode chamar minha atenção. Você não precisa disso, garota, já chama atenção mesmo sem querer.

- A sua atenção? – Sorri de um jeito malicioso para ele e então ele soltou o meu queixo e deu um passo para trás.

- Não disse isso. Só disse que você chama atenção de uma forma em geral. E você sabe disso.

É, eu sabia disso. E sabia que ele fugiria mais uma vez. Então antes que ele fizesse isso, eu mesma fiz. Fui saindo devagar enquanto tirava os sapatos altos.

- Lívia - Ele chamou e eu me virei. – Esses sapatos não combinam com você. Você tem mais cara de menina com pé no chão. – Fiquei furiosa com o comentário e fiz uma reverência exagerada para ele. Voltei e andar. – E Lívia, para a saúde da população masculina do Campus, eu não usaria mais essa saia.

E então ele realmente sorriu, de orelha a orelha. Ai como eu adorava esse sorriso! Era o sorriso e o olhar caído que tinham me deixado apaixonada por ele. Sorri de volta e arrisquei mais uma vez.

- A sua saúde também?

Eu sei, eu era bastante atrevida com ele.

Ele passou um longo tempo me olhando com as mãos no bolso da calça jeans. Então voltou a sorrir e sacudiu os ombros. 

- Sim. A minha também.
 
Virei de costas senão eu ia dar uma de louca e dançar a macarena na frente dele. Andei devagar chutando as pedrinhas no meio da estrada. Sabia que ele ainda estava me olhando, e me olharia até ver que eu estava na rua principal do Campus ao lado dos meus amigos. E ai ele colocaria toda aquela capa de homem perigoso e inacessível. Mas ele tinha dito que eu era um perigo para a sua saúde, e isso tinha feito tudo valer a pena. Eu estava eufórica, e antes de chegar em casa já tinha bolado mais dois planos para chamar a atenção dele. Fazer o que se eu era assim? Ainda estava no “antes dos trinta”. Quando enfiam chegasse à idade limite de casamento da minha mãe, me preocuparia em ser certinha e adulta. Até lá, ninguém me seguraria.
                

Autora: Carol Teles
Twitter : @mundirreparavel